domingo, 1 de agosto de 2010

Filhos da esperança


Nota do autor: Apronfundar a crítica sobre um filme é algo realmente complicado. Levando em consideração que algumas produções cinematográficas tem mais papel social do que de entretenimento, é preciso segurança e bagagem para abrir a página de postagem e digitar seja o que for. A análise de um filme pode ser feita de diversas formas, por vários viés, seja ele a interpretação e técnica dos atores, o estilo do diretor e do produtor, o roteiro, o papel ou a influência social, as comparações entre realidade, que tipo de sentimentos e lições aquela película pode trazer.
Um filme tem muito mais poder do que lhe fazer parar por mais ou menos duas horas e ter alguma espécie de diversão. Filmes são trabalhos sérios, de profissionais extremamente talentosos, que mesmo não agradando ou trazendo o que queremos, merecem respeito e um tratamento digno para com seus idealizadores, que trabalham duro e com garra, alguns em busca de sucesso ou algo do tipo, mas outros no ápice de uma inspiração catártica ou de problematização da nossa realidade caótica.


Esse filmes é poderoso e se olharmos com atenção, veremos o quanto de passado, presente e futuro da nossa humanidade existe nessa história de ficção. Como um mero telespectador, a tensão foi extrema e eu mal conseguia me mexer nas sequências de ação e suspense que o diretor Alfonso Cuarón, colocando toda uma técnica específica, filmou em 2006.
A história traz mais um cenário apocaliptico, diferente e mais natural do que os outros filmes do gênero, mas não perde sua originalidade. Clive Owen mantém seu estilo sério e focado, e a participação de Julianne Moore não passa despercebida, claro!
A única coisa que eu senti falta foi uma solução para isso tudo, um motivo, uma única visão que gerasse, de fato, esperança e mostrasse como todo o objetivo do filme serviria para alcançar aquilo que estava sendo buscado.
Assistam e tirem suas próprias conclusões, eu ainda estou refletindo.
Filhos da esperança (2006):
A história se passa na Inglaterra, 2027. Já faz 18 anos que a humanidade se tornou infértil. A incapacidade reprodutiva provoca mais caos social, já agudo com o problema dos imigrantes, da fome e das doenças. Tudo piora quando a pessoa mais jovem da Terra falece. O ex-ativista e hoje burocrata Theo (Clive Owen) não consegue chorar a perda. Pelo contrário, consegue dispensa do trabalho alegando falsamente o peso do luto. Theo parece resignado - algo lhe falta, como na alma de todo herói. Quando uma menina negra se descobre grávida, e vira a pessoa mais perseguida do mundo, ele se vê impelido a protegê-la.
Interpretações: 2,0
Cenário: 2,0
Roteiro: 1,8
Empatia: 1,8
Climax: 1,6
TotaL: 9,2 Imperdível.

Um comentário:

  1. A nota do autor, é do autor do filme ou do autor deste post? Portanto sua ou de Alfonso Cuarón? De qualquer forma, um ótimo ponto de vista! Vou me tornar menos crítico quando for analisar um aspecto em específico de qualquer filme.
    Realmente as cenas de gravidês e pós-parto são muito tensas, não tem como não se angustiar.
    Sobre o filme fazer parte do passado, presente e, infelizmente, possivelmente, futuro da humanidade, eu também vi muitas situações já tristemente conhecidas nossas.
    Eu não senti falta de um motivo, uma esperança, uma solução. Muitos filmes fazem isso, nos batem com força no seus clímaxes, mas depois nos alisam de uma forma que, quando o filme acaba, estamos reconfortados. Essa, obviamente não foi a intenção deste, como um filme que fala muito de um aspecto triste da humanidade, ele vai até o fim seguindo tal filosofia.
    Se há algo a se agarrar de bom no filme, para não haver tanto mal estar, eu diria que o heroísmo de nosso protagonista deva ser levado em consideração.

    Um bom filme!

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